Estado suicidário.

O conceito de Estados suicidários foi desenvolvido pelo filósofo francês Paul Virilio (1932-2018).
Segundo Virilio, o Estado suicidário é a característica final, e o inevitável desfecho, de todos os Estados que têm o desenvolvimento técnico e o progresso econômico como elementos principais de sua existência (em detrimento de outros aspectos que compõem a sociedade). Este é suicida na medida em que exaure seus próprios recursos naturais e humanos, reproduzindo a lógica da busca infindável do aumento da produção e do consumo para atender a uma estrutura de mercado econômica neoliberal.
Dessa forma, o Estado suicidário é “um novo estágio do Estado nos moldes de gestão imanentes ao neoliberalismo. É, portanto, sua fase terminal” (Vladimir Safatle).

Para Virilio, o conceito de Estado suicida/suicidário não foi criado para caracterizar, especificamente, Estados fascistas (entretanto, o nazifascismo se apresentou como a manifestação máxima de um Estado suicida). Dito isto, é importante ressaltar que há intrínsecas correlações entre os Estados fascistas do século XX e o Estado suicidário: Aqui, podemos associar o próprio conceito de Estado suicidário à característica de regimes fascistas que se remetem ao heroísmo e ao culto da [própria] morte. No fascismo, essa aproximação com seu próprio fim relaciona-se ao indivíduo (ego), e no Estado suicidário ao próprio corpo estatal (FOUCAULT, 1976).

Vladimir Safatle define a era da informática como algo perigoso, já que nos leva à perda da noção da realidade, quebrando distâncias e territorialidades e ainda proporcionando uma quantidade absurda de informações. Ele é caracterizado como um crítico que vê como negativas as implicações dos meios de comunicação de massa[3], apesar de não se considerar como tal, Virilio não considera a eliminação da internet e da cibernética, mas sugere que elas sejam utilizadas de forma civilizada. Para ele, estar na contramão das modas intelectuais é uma obrigação dos pensadores autônomos e engajados nas lutas por um mundo melhor. Ele relaciona a internet com a história e a cultura norte-americana, caracterizada por uma imposição ao mundo, um controle universal como o “big brother” previsto por George Orwell. Paul cita também o empobrecimento gerado pela concentração de dinheiro nas mãos de poucos e a automação que substitui o homem em quase todas as áreas. [carece de fontes]

Paul Virilio é um democrata, crítico do neoliberalismo, do capitalismo, da globalização e do novo império da técnica em todas as suas formas, do ciberespaço à automação. “Velocidade” pode ser considerada a palavra-chave dos pensamentos de Virilio acerca da Cibercultura, pois, segundo ele, a realidade é definida por um mundo virtual, onde se pode estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em nenhum, ou seja, não se tem mais a noção de tempo e espaço. Ele acredita que nós estamos vivendo a Era da “Dromologia” (dromos= corrida), em que a pressa dita o ritmo das mídias e se nega a reflexão e se intensifica a superficialidade.[4]

Virilio afirma ainda que o teatro e a dança são as duas únicas linhas de resistência à virtualização: “Não há globalização sem virtualização. O teatro e a dança têm necessidade de apresentar o corpo. Então são as artes do corpo por excelência. É preciso preservá-las, se as deixarmos desaparecer na virtualização, se não preservarmos os corpos de atores e dançarinos, provaremos que as novas tecnologias são exterminadoras dos corpos não apenas através do desemprego, da miséria, mas também da referência à corporalidade, isto é, à própria teatralidade”



'Brasil no momento, com fogo em regiões como a Amazônia que não acontece naturalmente.'
Fonte da imagem: https://twitter.com/oatila/status/1306346621932843010?s=20

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